O aniversário de 30 anos do BR-Linux é só em novembro, mas quando a gente está na estrada há tanto tempo, os marcos se acumulam – e espero que vocês estejam gostando desse marco mais recente, que é o retorno dos posts diários após tanto tempo inativo!
O BR-Linux em 2001, 2 anos antes do registro do atual domínio
Eu registrei o domínio br-linux.org em 9 de julho de 2003, após o site ter estado hospedado em vários outros endereços, incluindo linux.trix.net, https://brlinux.linuxsecurity.com.br (obrigado, Renato!) e até uma breve passagem como br-linux.com.
Ainda comemoraremos mais aniversários neste ano, mas esse do domínio me deixa especialmente feliz, porque foi um momento de evolução do site, que se mantém desde então.
Este artigo do How-To Geek lista repositórios de projetos conhecidos e que anunciaram que estão largando o GitHub, e analisa as razões apresentadas por eles, incluindo a perda da qualidade técnica do serviço, a política de sua proprietária Microsoft, e a IA.
Trecho:
A reclamação mais comum é que o GitHub sofre indisponibilidades frequentes. O IncidentHub registrou um tempo de inatividade total de 112 horas em 48 “grandes interrupções” no ano a partir de maio de 2025, observando que essas interrupções foram o motivo por trás das saídas do Ghostty e do Zig. Andrew Kelley, criador da linguagem Zig, mencionou também a relação do GitHub com a [agência norte-americana de restrição à imigração] ICE, cujo contrato com o GitHub também foi criticado por funcionários do serviço desde 2019.
Post do Ariel Bonfim no DioLinux: “É possível montar seu primeiro homelab usando um PC antigo, máquinas virtuais ou até um celular Android – afinal, para aprender vale tudo”.
Separei um trecho do texto do Ariel:
Talvez a ideia mais curiosa seja reutilizar um smartphone Android antigo. Embora muita gente enxergue o aparelho apenas como um telefone, ele continua sendo um computador completo, equipado com processador, memória RAM, armazenamento e conectividade de rede.
Com as ferramentas adequadas, é possível instalar um ambiente Linux e utilizar esse dispositivo para hospedar pequenos serviços. Entre alguns usos interessantes estão: Servidor de músicas para a rede doméstica; Biblioteca de filmes e séries; Servidor de arquivos; Pequenas aplicações web; Ambiente para estudar Docker e Linux.
A distribuição comunitária OpenMandriva reporta a exclusão de materiais do seu GitHub, e pacotes danificados no Cooker, após uma disputa interna entre contribuidores.
“Ele excluiu parte de nosso repositório do GitHub – coisas nas quais trabalhamos há muitos anos e nas quais eu próprio trabalhava há uma década – e também decidiu publicar um pacote vazio no repositório cooker, que tornou obsoletos todos os pacotes Gnome e Cosmic, o que poderia ter danificado os sistemas de pessoas que usavam Gnome ou Cosmic.”
Segundo o relato, o conflito nasceu de uma disputa sobre repositórios, e escalou após um contribuidor ter comportamento abusivo direcionado a seus colegas e a usuários, e ter sido removido de um chat da distribuição.
OpenMandriva, você sabe, é a distribuição comunitária que deu continuidade ao legado após a falência da Mandriva, nascida da junção da francesa Mandrake com a brasileira Conectiva.
O projeto informa estar restaurando os repositórios excluídos, e corrigindo os pacotes afetados. Além disso, a distribuição conduziu uma auditoria completa do sistema e não encontrou outros problemas além dos pacotes removidos.
A Valve acaba de lançar o Proton 11.0-1, uma grande atualização em sua camada de compatibilidade para rodar jogos do Windows em sistemas SteamOS – e Linux em geral.
Agora baseado no Wine 11.0, ele atualiza vários componentes gráficos e de compatibilidade e traz uma variedade de correções específicas de jogos, que alcançam títulos da EA e lançamentos clássicos das franquias Resident Evil e Dino Crisis, entre outras novidades.
Vários jogos passaram a ser listados como jogáveis, incluindo Unknown Faces, Gothic 1 Classic, X-Plane 12, Breath of Fire IV e Deadly Premonition. Além disso, vários títulos que antes funcionavam só no modo experimental foram promovidos, incluindo Universe Generator: The Golden Sword, DCS World Steam Edition, Resident Evil (1996), Resident Evil 2 (1998), Dino Crisis, Dino Crisis 2, From Dust, Blaite, Don't Die Dateless, Dummy!, METAL GEAR SURVIVE, Warhammer: Vermintide 2, Metal Fatigue e SHOGUN: Total War.
Outros jogos receberam novidades, incluindo o modo VR no No Man’s Sky e no Microsoft Flight Simulator. A lista de novidades é extensa e também inclui itens não relacionados diretamente a jogos, como questões relacionadas ao KDE e a outros elementos dos bastidores.
Quem precisa de um NAS básico e não está interessado em interface gráfica, gostará de saber que é surpreendentemente simples configurar armazenamento com o moderno OpenZFS e compartilhá-lo na rede usando o clássico Samba, e o Debian.
FlatHub, você sabe, é o repositório central e principal para obter pacotes em formato Flatpak, e que prefere receber seus pacotes diretamente dos desenvolvedores. E a partir do início do ano corrente percebeu que no caso dos pacotes identificados como slop code, eram prevalentes as situações em que não eram observados os padrões do repositório, e as tentativas de comunicação com os desenvolvedores eram respondidas com textos gerados automaticamente, sem resolução da situação apontada, levando assim à decisão de parar de aceitar os softwares identificados nessa situação.
E os dados levantados pelo desenvolvedor Paterakis trazem mais um elemento a esse cenário: dos 120 repositórios assim identificados e que chegaram a ser aceitos pelo FlatHub antes do banimento, 88 estão abandonados (boa parte apagados, outros apenas deixaram de ser atualizados), e só 32 continuaram a ser mantidos.
Ele conclui: “não vou mentir e afirmar que cerca de 27% de chance de um projeto não ser abandonado em 6 meses é algo bom ou vale o tempo que os voluntários passarão conversando com a instância OpenClaw de alguém”.
O KDE Plasma 6.6.6 foi disponibilizado como a sexta e última atualização de manutenção da série 6.6, para quem ainda não fez o upgrade para o KDE Plasma 6.7.
A lista de novidades é extensa, mas são basicamente correções – em itens variados, como rede, clipboard, acessibilidade, e até o relógio digital.
Davit é um app open source para o Mac, que oferece acesso à plataforma de containers da Apple – containers, imagens, volumes e redes – com estatísticas ao vivo, logs, navegação de arquivos, registros privados e configuração com um clique.
O nome Davit é curiosamente escolhido, porque se refere aos guindastes portuários usados para descarregar e carregar os containers nos navios.
O Frame é um novo utilitário de conversão de mídia que coloca uma interface gráfica moderna para operar o clássico FFmpeg, e promete facilitar os fluxos de trabalho de vídeo, áudio, imagem, legendas e metadados.
Usuários jurássicos do ffmpeg (como eu) acabam acumulando uma série de anotações de parâmetros e scripts para acesso às operações mais utilizadas, mas a linha de comando dele evolui com cada vez mais opções, e as interfaces gráficas modernas ajudam a dar acesso a elas tanto a eles, quanto aos usuários mais recentes.
As operações do ffmpeg que o Frame facilita incluem: converter arquivos de vídeo, extrair ou converter áudio, alterar formatos de imagem, operar com legendas, editar metadados, redimensionar ou cortar mídia, usar predefinições e processar vários arquivos em uma fila.
Os formatos de vídeo e containers suportados incluem MP4, MOV, MKV, AVI, WebM e até GIF, além de uma infinidade de formatos de áudio, imagens, legendas e mais.
Entre os motivos listados estão o descompasso entre os ritmos de atualização, a adoção cada vez maior dos pacotes Snap pelo Ubuntu, e os planos da Canonical relacionados a IA.
No início do século, a partir de 2003, uma disputa entre a SCO e a IBM assustou muita gente porque tinha implicações (tênues) sobre direitos autorais do Linux – e ela acaba de renascer.
O rolo todo nasce do Projeto Monterey: uma aliança entre IBM e SCO (que já foi grande, mas na época era uma sombra do que chegou a ser), iniciada em 1998 (quando o Linux já existia há quase uma década), para fazer um "Unix universal" – que acabou quando a IBM percebeu que o mercado preferiria o Linux. A SCO não gostou, e mais tarde processou alegando que código do Monterey havia sido contribuído pela IBM e incorporado ao Linux (e ao AIX), sem ela ter sido compensada.
Os argumentos sempre foram fracos, mas a SCO (e sucessores cada vez mais mortos-vivos) foi mantida viva por investimentos de quem tinha interesse na incerteza gerada, ou na possibilidade improvável de no final faturar direitos autorais sobre o Linux.
No início da atual década, não deu mais pra segurar, e a ação foi extinta após as partes entraram em um acordo, sem qualquer identificação de culpa da IBM.
Mas causar essa incerteza, ou especular a possibilidade de um dia ganhar esse direito, permanece valioso para alguém que tem os meios para persistir, então um novo sucessor (que comprou o espólio da SCO) chamado Xinuos reviveu o caso (em 2021), agora contra a IBM e sua subsidiária Red Hat, e adicionando acusações de falsidades e conspiração.
A novidade recente é que esse caso chegou à fase de audiências, ou seja, as partes expuseram suas posições a um juiz. E são basicamente as mesmas posições de mais de 20 anos atrás, com uma novidade: agora é um novo caso, com uma nova empresa, e a IBM afirma que a Xinuos nem mesmo tem o direito de abri-lo.
Portanto, se você chegar a ver essa questão apresentada como um risco ou um problema do Linux, lembre-se: é uma tentativa de requentar, 20 anos depois, argumentos que já eram fracos originalmente, e agora estão ainda mais diluídos e questionáveis que antes.
O projeto ARMSX2 já vem há algum tempo trazendo jogos clássicos do PlayStation 2 para dispositivos Arm, e acaba de lançar uma versão inicial para Linux, que já pode ser testada em dispositivos como Raspberry Pi, Odroid, Orange Pi e mais.
Um Raspberry Pi vestido de Playstation 2, já esperando o novo emulador
O ARMSX2 se baseia no clássico emulador PCSX2, mas vem se esforçando para remover uma camada intermediária de emulação (referente à arquitetura intel x86), com sucesso mensurável: dos 124 jogos da amostra de teste, 40% já estão jogáveis, e 26% estão perfeitamente emulados.
A disponibilidade de emuladores para essa plataforma sempre acaba se revertendo em mais opções de entretenimento e preservação digital, e aplaudo.
O LinuxOnTab é daquelas soluções que parecem inacreditáveis aos olhos dos usuários da década de 1990: ele dá boot em um kernel Linux x86 real, com toda a distribuição Alpine junto, em uma aba do navegador, graças ao poder do WebAssembly e do emulador v86.
O resultado é um terminal Linux sempre disponível, com execução local, instalação zero, capaz de ser uma alternativa leve para testes, demonstrações, aulas, e shells descartáveis em geral.
A página tem os links - é só clicar, aguardar o boot, e interagir (sem login!) no terminal exibido na própria aba. Para ir além, a página explica como passar parâmetros ao abrir a aba, criar soluções de automação, e até mesmo de persistência local dos arquivos e da sessão.
Em várias regiões da Europa, a soberania digital já não é apenas um slogan: o software proprietário feito nos EUA está sendo abandonado em estados alemães, ministérios austríacos e agências francesas, e agora na Pomerânia Ocidental.
O anúncio mais recente é do estado alemão da Pomerânia Ocidental, que acaba de iniciar a migração dos serviços básicos de colaboração (como compartilhamento de arquivos, chat, videoconferências e groupware) para a alternativa open source NextCloud. A egência que provê o serviço dimensiona a migração de forma a atender a um total de 50.000 usuários das administrações municipais e do governo estadual, e neste momento 5.000 deles já estão usando a plataforma.
Além de iniciativas gerais de todo o continente, e nacionais em países como a França, mais recentemente, o estado alemão de Schleswig-Holstein iniciou a implementação do Linux, LibreOffice, Nextcloud, Open‑Xchange, Thunderbird e outras aplicações de código aberto para cerca de 25.000 a 30.000 postos de trabalho. Além disso, o Ministério dos Assuntos Econômicos da Áustria migrou cerca de 1.200 funcionários do Microsoft 365 para uma plataforma local, baseada no LibreOffice e no Nextcloud, hospedada na infraestrutura austríaca, e o Ministério da Educação francês implementou o Nextcloud para 400.000 dos seus postos de trabalho, com planos de fornecer a solução a 1,2 milhões de funcionários num futuro próximo.