Cloudflare aprofunda a distopia, propõe pacto com navegadores, e a Mozilla aceita
Em uma web cada vez mais sufocada pelo tráfego de bots e agentes, a Cloudflare propõe que os navegadores assinem um pacto com ela, e a Mozilla morde a isca – junto à Google e à Microsoft.
A Cloudflare anunciou como um triunfo a adesão da Mozilla, Chrome e Edge ao seu pacto que a transforma na fiadora de que o tráfego é mesmo gerado por uma pessoa (ou por um “bot autorizado”, nas palavras dela).

E a Cloudflare e seus cavaleiros farão isso, veja só, por meio de “tokens anônimos” a serem distribuídos por sites de comércio eletrônico ou outros que tenham meios de avaliar a “pessoalidade” de cada interação.
Ou seja: você faz uma transação on-line num site que conhece seu cartão de crédito ou documentação, e ganha fichas "anônimas" garantidas pela Cloudflare, comprovando que você é mesmo uma pessoa, aí as usa automaticamente para ser aceito como pessoa também por outros sites que não conheçam o seu cartão de crédito e os seus documentos.
Essas fichas de acesso à web controlada pela Cloudflare serão chamadas de Private Access Control Tokens (PACT), e terão a função de fundamentar “um protocolo de preservação de privacidade para ajudar humanos e bots a provar que seu tráfego não é malicioso”.
Distópico, não? Não surpreende que a Mozilla de 2026 tenha aderido. Além de colocar uma condição transacional para comprovação de algo que ninguém deveria ter que comprovar, ainda centraliza numa empresa a emissão e garantia dessa comprovação.













