A defesa do Linux é interesse de grande parte dos usuários, e se dá através de participação ativa em fóruns, chats e listas de discussão, propaganda boca-a-boca, consultoria formal e informal, palestras, seminários e de muitas outras formas.
Entretanto, como qualquer outro tema controverso, a escolha de um sistema operacional pode dar margem a muitas discussões, e existem maneiras corretas e incorretas de lidar com elas. Muitos usuários apaixonados pelo sistema acabam causando mais dano do que bem à sua imagem quando atribuem a eles qualidades que ele não possui, ou quando esquecem a realidade e discutem baseado apenas na ideologia.
Veja em DETALHES diversas dicas sobre como promover e divulgar o uso do Linux. (Nota: este artigo foi originalmente publicado por mim em 2001).
Defendendo o Linux
por Augusto C. Campos (brain@matrix.com.br)
Apresentação
O que segue é uma tradução parcial e comentada do Linux Advocacy Mini-HOWTO, integrante da base de documentos do Linux Documentation Project e de autoria de Paul L. Rogers. Esta tradução será realizada nos termos da nota de copyright que consta na versão 0.5c do documento, datada de 3 de maio de 2000. O objetivo é a publicação no site que mantenho (Linux in Brazil), e a redistribuição e republicação é encorajada, desde que mantendo a íntegra desta apresentação e atendendo às notas de copyright do documento original.
Introdução
A comunidade Linux sabe há algum tempo que para diversas aplicações o Linux é um produto estável, confiável e robusto (embora não seja perfeito). Infelizmente ainda há muita gente, incluindo tomadores de decisões, que continua inconsciente da existência do Linux e de suas capacidades.
Para que o Linux e os demais componentes de suas distribuições possam atingir seu pleno potencial, é crítico que encontremos nossos "consumidores" potenciais e façamos a defesa (tomando o cuidado de não prometer mais do que devemos) do uso do Linux nas aplicações apropriadas. A razão do sucesso dos produtos de várias companhias nem sempre reside em sua superioridade técnica, mas também em sua capacidade de marketing.
Se você gosta de usar o Linux e gostaria de contribuir algo para a comunidade, considere atuar em uma ou mais das idéias deste mini-HOWTO e ajude outras pessoas a saber mais sobre o Linux.
Defendendo o Linux
Compartilhe suas experiências pessoais (boas e más) com o Linux. Todos sabem que os softwares possuem falhas e limitações, e se só tivermos comentários positivos, não estaremos sendo honestos. Eu [o autor original!] adoro mencionar sobre ter dado apenas 4 reboots (3 agendados) em três anos.
Se alguém tiver um problema que o Linux possa resolver, ofereça-se para fornecer indicação para as informações apropriadas (páginas da web, artigos de revistas, livros, consultores...). Se você não tiver de fato utilizado a solução que irá propor, mencione este fato.
Ofereça-se para ajudar alguém a começar a usar o Linux. Acompanhe-o, para ter certeza de que ele está em condições de usar o sistema efetivamente.
Algumas pessoas ainda acreditam que o Linux e sistemas similares operam apenas em modo texto. Assegure-se de que eles estejam cientes da existência de aplicações gráficas, como o Gimp (www.gimp.org)
Tente responder a uma pergunta de novatos a cada semana. Procure as questões mais difíceis, você pode ser o único capaz de respondê-las, e pode até acabar aprendendo alguma coisa no processo. Mas se você não está confiante na sua capacidade de responder corretamente, encontre alguém que possa.
Procure pequenas empresas de desenvolvimento de software e ofereça-se para fazer uma apresentação sobre o Linux.
Se surgir uma oportunidade, faça uma apresentação para o Setor de Informática da empresa onde você trabalha.
Participe de eventos da área de informática na sua comunidade ou região. Embora sua primeira prioridade deva ser contribuir para o sucesso do evento, use a oportunidade para que outras pessoas saibam o que o Linux pode fazer por elas.
Sempre considere o ponto de vista da pessoa a quem você está "vendendo" o Linux. Suporte, confiabilidade, interoperabilidade e custo são alguns dos fatores que um tomador de decisões precisa considerar - e o custo pode ser o menos importante deles.
A disponibilidade de suporte é muitas vezes mencionada como uma preocupação ao considerar a possibilidade de adoção de uma solução Linux. Mas várias empresas (inclusive no Brasil) podem ser contratadas para oferecer suporte, inclusive na modalidade 24/7 desejada por muitas empresas. E há também o suporte livre oferecido pela própria comunidade através da Internet.
Esclareça que a produção de software livre acontece em um ambiente de colaboração entre projetistas, analistas, programadores, testadores, escritores e usuários, que frequentemente resulta em produtos robustos e bem documentados como o Apache, GNU Emacs, Perl e o kernel do Linux.
Levante-se para que possam contá-lo! Registre-se no counter.li.org
Encontre um novo lar para seus CDs e livros de Linux que você não irá mais usar. Dê-os para alguém interessado em Linux, uma biblioteca pública, ou o clube de informática de uma escola. Mas antes certifique-se de que isto não irá violar a licença de distribuição de nenhum dos materiais doados, e informe ao pessoal da Biblioteca que o material do CD-ROM é livremente redistribuível. Acompanhe para se certificar de que ele seja realmente colocado nas prateleiras.
Quando comprar livros sobre software distribuído com o Linux, dê preferência a livros cujo autor é também o responsável pelo software - frequentemente os royalties da venda dos livros são a única renda que os autores recebem pelo seu trabalho.
Participe! Se você se beneficiou de um software livre, considere auxiliar a comunidade:
- submeta relatos detalhados sobre bugs
- escreva alguma documentação
- crie arte relacionada
- compartilhe seu talento administrativo
- sugira melhoramentos
- forneça suporte técnico
- contribua software
- doe equipamentos
- forneça apoio financeiro
Finalmente, tenha em mente que todos nós temos problemas mais sérios que a escolha de um ambiente operacional.
Códigos de conduta
Como um representante da comunidade Linux, participe de listas de discussão e fóruns de maneira profissional. Evite o uso de palavrões e o uso de linguagem vulgar. Suas palavras vão melhorar ou piorar a imagem que o leitor tem sobre a comunidade Linux.
Evite as hipérboles e afirmações sem substância a qualquer custo. É antiprofissional e resulta em discussões improfícuas.
Uma resposta bem argumentada a uma mensagem de lista ou fórum irá não apenas fornecer a informação da qual os seus leitores necessitam, como ainda irá aumentar o nível de respeito que eles têm por seu conhecimento e capacidade.
Se oferecerem isca para uma discussão desnecessária (flame war), não morda o anzol.
Lembre-se de que se você insultar ou for desrespeitoso com alguém, suas experiências negativas podem vir a ser compartilhadas com muitos outros. Se você ofender alguém, tente acertar-se assim que possível.
Concentre-se no que o Linux tem para oferecer. Não há necessidade de falar mal da concorrência. O linux é um produto sólido o suficiente para brilhar por seus próprios méritos.
Respeite o uso de outros sistemas operacionais. Apesar de o Linux ser uma excelente plataforma, ele não atende às necessidades de todo mundo.
Refira-se a outros produtos pelo seu nome próprio. Não há nada a ganhar ao tentar ridicularizar os produtos de outras empresas através de grafias criativas de seus nomes. Se queremos respeito para o Linux, devemos também respeitar os outros produtos.
Dê crédito a quem o merece. O Linux é o kernel. Sem os esforços de muitas pessoas envolvidas no projeto GNU, no MIT, Berkeley e outras numerosas demais para serem citadas aqui, o kernel do Linux não seria tão útil.
Não insista que o Linux é a única alternativa para uma determinada aplicação. Software livre também é liberdade de escolha.
Você encontrará casos onde o Linux não é uma alternativa. Seja o primeiro a reconhecer este fato, e ofereça outra solução.
Grupos de usuários
Participe de um grupo local de usuários. Se não houver nenhum grupo de usuários na sua área, inicie um.
Disponibilize palestrantes para organizações interessadas em saber mais sobre o Linux.
Emita comunicados sobre suas atividades para a imprensa local
Seja voluntário para configurar um sistema Linux para as organizações comunitárias locais. O processo deve incluir treinamento e documentação para permitir a manutenção.
Relações com fornecedores
Ao contemplar a aquisição de equipamentos, pergunte ao fornecedor sobre o suporte a Linux e experiência de outros usuários do produto com o Linux.
Considere apoiar vendedores que suportam produtos baseados no Linux
Apóie fornecedores que doam parte da sua receita para organizações como a Free Software Foundation ou seus equivalentes. Se possível, faça uma doação pessoal para uma destas organizações.
Postado por brain em 22 de março de 2003, 06:26 PM
Daqui a pouco vai ter documentos de como comer um pao com salame...
Cada um promove o sistema como bem entender...besteira ficar seguindo dicaszinhas...
Postado por: Sacola de Plastico em março 22, 2003 06:35 PMAcho muito válida a idéia proposta pelo artigo. Muitas vezes já me basiei em ideologias ao falar sobre o linux e já me arrependi por isso. A questão não é seguir ou não "dicaszinhas" mas sim saber sair-se bem numa situação onde vc não domina totalmente o assunto discutido.
Postado por: dcm182 em março 22, 2003 08:59 PMcreio sinceramente que usamos um OS superior ao mais popular do mercado mas istonão significa que temos de destratá-lo ou supervalorizar nossa distro predileta...
Acho que é o meio caminho, sem extremos
Trabalho com linux há aproximadamente 03 anos e desde o começo reconheço a superioridade frente aos outros SO (pelo menos os mais usados). Infelizmente, como o artigo menciona, as pessoas que tomam decisões sobre quais programas usar são, na sua grande maioria, preguiçosos, desatualizados, ou pior, têm um outro interesse em manter máquinas funcionando com aplicativos que custam milhares de dólares e que, sequer fazem o que deveriam fazer. E não apenas na área de servidores. Acho que os profissionais de Informática devem colocar as suas impressões verdadeiras sobre todas as experiências passadas, com sinceridade e responsabilidade, dessa forma podemos ter um certo grau de credibilidade junto a quem está acostumado a tomar decisões baseado em artigos de uma certa Info Revista (os chamados Cunsultores de Info-Exame), ou ainda na palavra do filho que "sabe de informática".
Sei que algumas das minhas palavras podem ser vistas com certo rancor por alguns dos companheiros, mas o que acontece, pelo menos aqui no mercado de São Luís/MA, é exatamente isso. Os profissionais (entre os quais humildemente me incluo) que passam horas a fio, testando programas, configurações diversas, estudando e se preparando para as novas tecnologias (mesmo as antigas com novos nomes - ex.: C#, Active Directory, etc...), somos colocados em décimo plano quando da tomada de decisões de âmbito técnico, mesmo que sejamos nós, com certeza que iremos livrar a cara (para não citar outra parte do corpo) de pessoas despreparadas que mal sabem do que falam quando abrem a boca para dizer a palavra Informática.
Postado por: Wagner em março 23, 2003 12:14 AMDicas basicas:
evite flames, admita q o windows em algumas ocasioes é melhor e q o linux tem suas dificuldades.
Criticar excessivamente o windows diante de um usuario windows ferrenho é como criticar a namorada ou mae dele: os caras *realmente* gostam do windows. Portanto, sugira o linux como mais uma opcao e nao como uma troca. O knoppix e Kurumin veem em boa hora .
Meus 2 centavos.
T+
--
Make free software, not war.
Siga sempre pelo caminho do meio. Já dizia Buda. Extremos causam ações como as que estamos presenciando no Iraque. Além de que, todos acabam odiando os dois lados da moeda.
Postado por: Joubert Vasconcelos em março 23, 2003 10:02 AMA sinceridade é a melhor politica. Como diz o ditado, "mentira tem perna curta". Se se conseguir fazer com que as pessoas tenham uma melhor idéia do que o Linux é de fato, se terá feito um grande trabalho de defesa e disseminação.
Postado por: Félix F. em março 23, 2003 01:30 PMé isso ai:
ja imaginaram vc chegando numa empressa com uns 30 pc,e começar a chamar o dono da empressa de burro se ele não ussar Linux,acha que ele vai contratar vc para instalar linux la?que nada,ele vai dar ouvidos ao car que chegar com edução, mesmo que esse seja um representante da M$
O artigo serve também como um Manual de Conduta dos frequentadores de fóruns, pois que devemos sempre nos comportarmos com respeito aos outros. Concordo também que a postura ideológica militante não deva ser a ÚNICA forma, mas sem perder de vista o que o S.O. mais famoso representa frente a atual situação mundial.
Postado por: João Melo em março 24, 2003 12:34 PMPão com Salame ? Essa é boa...
... Mas até pra fazer pão com salame é preciso ter um procedimento, mesmo que não esteja documentado (lol).
O fato de criticar outros SO's sem provar o quanto o Linux é superior em muitos aspectos, seria ruim. O ideal é começar a envolver os usuários com o Linux naturalmente : Comece devagar, mudando o M$ office pelo Open Office, e procurando (freshmeat, sourceforge) por softwares que poderão substituir outros pagos.
Não pense que será uma tarefa fácil. Mas não é impossível ! Basta que vc dê o "exemplo" dentro da empresa.
Postado por: Helio Rios em março 27, 2003 10:04 AMBoas dicas !
Se vc já chega cantando de galo ninguém vai prestar atenção.
P.S.: Outro dia vi um HOWTO de como tratar uma mulher no "mundo linux" hehehehe
Postado por: JrLuiz em março 28, 2003 04:14 PMUm ditado:
Com jeitinho, você me leva até o inferno. Gritando, pode pegar seu céu e enfiar...
Léo
Postado por: Léo em março 28, 2003 06:24 PM
O Arquivo Histórico do BR-Linux.org mantém no ar (sem alteração, exceto quanto à formatação) notícias, artigos e outros textos publicados originalmente no site na segunda metade da década de 1990 e na primeira década do século XXI, que contam parte considerável a história do Linux e do Open Source no Brasil. Exceto quando indicado em contrário, a autoria dos textos é de Augusto Campos, e os termos de uso podem ser consultados na capa do BR-Linux.org. Considerando seu caráter histórico, é provável que boa parte dos links estejam quebrados, e que as informações deste texto estejam desatualizadas.