22 de julho, 2002

Entrevista com Rasterman

Esta entrevista com o Rasterman (criador do gerenciador de janelas Enlightenment) é muito interessante, principalmente pelos argumentos que ele usa para anunciar a morte do Linux no desktop. Eu tendo a discordar dele, e você?

Postado por brain em 22 de julho de 2002, 09:54 AM
Comentários

IMHO :-)


:. "O Windows venceu, conforme-se" (21/07/2002)

Esta entrevista do The Rasterman (o desenvolvedor do Enlightment e de outros projetos open-source, bem famoso por sinal) publicada pelo Linux and Main contém várias opiniões interessantes sobre o desenvolvimento do Linux.

http://www.linuxandmain.com/modules.php?name=News&file=article&sid=141

Diferente da maioria dos artigos sobre o Linux, que apenas apontam os progressos da plataforma, o autor aqui é bastante categórico sobre o que espera do uso do Linux nos desktops: "Não nos desktops, não nos PCs. Em nada que lembre o que você chama de desktop. O Windows venceu, conforme-se. O mercado não é governado por um Kernel superior ou por um sistema que não trava. Os usuários não se importam, eles simplesmente reiniciam e continuam com ele. Eles querem aplicativos e se os aplicativos que eles querem e gostam não estão aqui, então é perda de tempo"

Para ele, o futuro do Linux está nos portáteis e nos servidores, além de alguns nichos específicos, como a edição de vídeo, onde o sistema já apresentam vantagens reais sobre outros sistemas.

Até certo ponto eu também concordo que o Windows ainda é uma opção mais adequada para a maioria dos usuários no desktop, pois apesar de tudo ainda é mais fácil de utilizar que o Linux e conta com um número maior de aplicativos.

Mas, por outro lado. o Linux apresenta vários pontos fortes do ponto de vista de usuários um pouco mais avançados. Em primeiro lugar vem a disponibilidade de aplicativos. Não estou falando aqui de quantidade, mas sim na facilidade de encontrar e utilizar os aplicativos desejados. O motivo é simples: a maioria dos aplicativos são gratuitos, você precisa apenas encontrar o aplicativo de que precisa e instalá-lo, sem se preocupar se ele é caro ou não, ou onde conseguir uma cópia "alternativa", onde achar um crack, etc. É só baixar do site do desenvolvedor e instalar, rápido, prático e honesto.

O Linux também é muito forte na área de redes. Configurar um servidor FTP, acessar o desktop e rodar aplicativos remotamente, manter um servidor Web ou um newsgroup, são tarefas muito simples no Linux, já que basta ativar os softwares já incluídos na distribuição.

Em terceiro lugar, vem a segurança do sistema contra vírus, invasões e outros tipos de abuso, além da estabilidade geral e facilidade de reinstalar o sistema em qualquer emergência. Para quem mantém seus arquivos de usuários numa partição separada e faz backups de alguns arquivos de configuração, é possível reinstalar o sistema, com todos os aplicativos e configurações em meia hora, já que a maior parte dos aplicativos serão instalados junto com a distribuição e restaurar os backps dos arquivos de configuracão é uma tarefa rápida.

Isso sem considerar o principal atrativo, que é a possibilidade de fuçar, de realmente poder entender o sistema e adapta-lo às suas necessidades. Sempre existem novos desafios e novas coisas para aprender.

E, sabemos que são justamente os usuários avançados e profissionais da área de informática que ajudam o "average Joe" (como os gringos gostam tanto de dizer) quando ele tem problemas com o micro, são eles que são chamados para implantar soluções nas empresas ou para ministrar treinamentos. A massa acaba seguindo de uma forma ou de outra as tendências ditadas por eles (nós? :). Afinal, por que um usuário leigo usa o Word se não utiliza nem 10% dos recursos do aplicativo? Simplesmente por que alguém o ensinou a usar o Word e não outro aplicativo qualquer.

Se o Linux tem hoje 3 ou 4% dos usuários e quem geralmente utiliza o Linux hoje são justamente os usuários avançados, significa que a coisa pode não estar tão feia assim :-)

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Mais alguns comentários sobre o Linux nos desktops (22/07/2002)

Só completando o que disse no artigo abaixo, já existem alguns projetos bastante concretos sobre o uso do Linux nos desktops.

Em primeiro lugar, vem o KDE 3.0, que além do Koffice e outros aplicativos, está oferecendo algo que até agora não tínhamos no Linux, uma boa integração entre os programas, e uma interface comum em todos. Se você já tem alguma experiência com o uso do Linux, deve saber bem do que estou falando. Por serem baseados em bibliotecas diferentes (QT, GTK, Motif, etc.) os programas disponíveis no Linux frequêntemente possuem um visual completamente diferente entre sí. Botões, decorações das janelas, cores, funcionamento da área de transferência, tudo muda entre cada grupo de aplicativos. Experimente abrir o Konqueror (biblioteca QT), Netscape (biblioteca Motif), Gimp (GTK) e o Open Office (uma quarta biblioteca, própria) e veja que cada aplicativo parece ter saído de um sistema operacional diferente :-)


Tantas diferenças tornam o uso do sistema bem mais desconfortável e até mesmo confuso para muitos usuários. Mas a situação mudou bastante com o KDE, pois por incluir um grande número de aplicativos, todos baseados na biblioteca QT e consequentemente com um visual comum e funções consistentes, o KDE é muito mais confortável de usar. O Gnome segue o mesmo caminho, usando a biblioteca GTK.

Ter programas que mantém a mesma característica visual, como no Windows e no MacOS sem dúvida tornam o sistema mais fácil e confortável de usar, mas com a versão 3 o KDE está conseguindo chegar muito perto em termos de usabilidade e apelo visual (claro, espero que o próximo passo seja melhorarem um pouco o desempenho também... :-).

Outro problema comum encontrado no Linux são problemas com as próprias distribuições, coisas que não funcionam como deveriam. No Mandrake 8.2 por exemplo, ao tentar mapear um compartilhamento de rede usando o Mandrake Control Center, ele pede a senha do compartilhamento numa janela de terminal e não dentro da janela onde você está. Você não vê o que acontece no terminal, já que chamou o programa usando o atalho no iniciar, acha que o programa travou e acaba tendo que montar o compartilhamento via fstab, o que é muito mais complicado para um iniciante.

É só um exemplo, outros pequenos problemas como este existem em todas as distribuições, o que novamente dificulta a configuração do sistema. Felizmente isto também está melhorando. Se compararmos o número de problemas com um, digamos, Conectiva 6 e um Red Hat 7.3, Mandrake 8.2 ou mesmo o Conectiva 8, veremos que estão conseguindo caminhar no caminho certo. Por sinal, o Slackware é uma das distribuições que se sai melhor neste aspecto: o sistema pode ser mais difícil de configurar, mas pelo menos tudo funciona como deveria ;-)

Finalmente, temos o problema do suporte a hardware, basicamente aos Winmodems. O grande problema aqui é um grande impasse entre os fabricantes e os desenvolvedores do Kernel e das distribuições. Os fabricantes não distribuem drivers em código fonte, mas sim binários já compilados, que não são incluídos no Kernel (o que faria seu PC-Tel ser automaticamente detectado durante a instalação...) e nem nas distribuições, por não serem software livre. A bomba acaba sobrando para os usuários, que precisam instalar os drivers manualmente e resolver todos os problemas de compatibilidade que deveriam ser resolvidos pelas distribuições. O problema aqui é político.

Algumas distribuições, como o Techlinux e o Demolinux, tomaram a iniciativa de passar a incluir os drivers nos pacotes. É por isso que mesmo dando boot pelo CD o Demolinux 3 consegue detectar vários Winmodems. Poderia ser assim em todas as distribuições e espero que realmente seja num futuro próximo. Afinal, mais de 80% dos usuários do mundo acessam via modem e não dá para esperar que todos comprem hardmodems ou passem a acessar via banda larga de uma hora para a outra.

Este problema não existe nos casos em que o PC já é comprado com o Linux pré-instalado, já que usando softmodem ou não, quem terá que instalá-lo será o integrador e não o usuário. Vender PCs com o Linux ou sem software está se tornando cada vez mais comum, pois permite baixar o preço do PC em cerca de 80 dólares (valor de uma cópia OEM do Windows) que é quase 1/4 do preço de um PC básico sem monitor:

http://newsforge.com/article.pl?sid=02/07/15/0147230&tid=23

Outra questão é o treinamento. Se você simplesmente instalar o Linux no PC de um usuário doméstico e o deixar à própria sorte, esperando que ele se vire para configurar o sistema é encontrar programas que permitam fazer tudo o que fazia no Windows, é ÓBVIO que ele vai voltar para o Windows. É uma mudança muito grande e demorada. E nem todo mundo tem tempo ou paciência para fazer isso.

Por outro lado, um empresa teria uma dificuldade muito menor em fazer uma migração pplanejara ministrando treinamentos, pesquisando aplicativos que substituam os atuais, lançando mão de programas que rodam nas duas plataformas como o Gimp, Star Office, Netscape, etc. criando uma equipe de manutenção, capaz de resolver os problemas dos usuários e assim por diante. Isto claro, exige um certo investimento mas é viável se for considerada a economia de custos. O Metrô fez algo assim ao migrar para o Star Office e agora estão economizando mais de um milhão por ano só nas licensas do Office.

Existem ainda alguns projetos que visam justamente diminuir as diferenças entre o Linux e o Windows, diminuindo o impacto da mudança. Distribuições que incluem os programas que um usuário doméstico necessita, sem servidores, compiladores, programas redundantes, etc. O primeiro exemplo é o Lycoris, uma distribuição baseada no KDE que adota uma organização dos programas muito semelhante à do Windows XP. O próprio painel de controle do KDE foi modificado, tornando-se parecido com o painel de controle do Windows, entre várias outras pequenas mudanças que tornaram o sistema bem mais amigável.

Temos ainda o Lindows, que apesar de todos os problemas, também traz algumas idéias interessantes do ponto de vista da facilidade de uso, como um serviço que permite que os usuários instalem novos programas com um único click. Você abre o utilitário, navega entre categorias como "editores de texto", "programas gráficos", "MP3", etc. encontra o programa desejado e com um único click do mouse ele é baixado, instalado e os ícones para ele já aparecem no desktop e no iniciar. É uma solução inteligente para o problema da instalação de novos programas... :-)

Enfim, quem parar para olhar todas as melhorias que estamos vendo e a velocidade em que elas estão acontecendo, vai começar a encontrar muitos usos para o Linux e uma plataforma muito promissora. É muito precipitado dizer que o Linux não tem chance nos desktops ou em qualquer outro lugar, afinal é só agora que o sistema está amadurecendo e tornando-se realmente amigável.

Postado por: Carlos E. Morimoto em julho 27, 2002 08:27 AM

Para mim, cedo-ou-tarde vai haver uma inversão no mercado de Desktop, e a tendência é que o GNU/Linux comece a "ganhar terreno", mesmo pq a própria Microsoft comete muitos erros de avaliação (por exemplo, se a MS tivesse portado o MS Office para o GNU/Linux, dificilmente o OpenOffice estaria no nível de hoje).

Além disso, o GNU/Linux tem o apoio maciço de muitas empresas. É quase "um-contra-todos".

O grande problema é que a grande maioria das empresas que produzem distros GNU/Linux, se preocupam mais com o mercado corporativo, esquecendo-se que a Microsoft só ganhou o mercado corporativo, depois de "conquitar" o mercado Home.

Na verdade, para que o GNU/Linux "estoure" de vez no mercado desktop, seria necessário que uma grande empresa, com renome indiscutível, e com muito "poder de fogo" declarasse guerra direta a Microsoft e produzisse uma distro que fosse extremamente similar ao Windows, até mesmo fazendo acordos com empresas como a Codeweavers, para dar um certo grau de compatibilidade.

Mas a grande questão, é que atualmente eu não vejo muitas empresas capazes disso. A última que poderia fazer isso, foi a Corel Linux.

Claro que existem alguns projetos interessantes, como o Lycoris Desktop LX, ou o Xandros (que por enquanto só promete), ou até mesmo o "meio odiado" Lindows OS, mas não creio que eles tenham condições de vencer a MS.

Outra possibilidade seria um governo atacar direto o nicho de mercado da MS (como a China, que é mais especulação do que realidade).

Em termos práticos, o que nós podemos fazer hoje com usuários mais dependentes da plataforma MS, é incentivar o uso de software open source, dentro do próprio Windows, para que os usários comecem a se acostumar com outros softwares, como por exemplo, o OpenOffice e o Mozilla 1.0. Desta forma, quando houver uma migração para o ambiente GNU/Linux, o usuário já estará, pelo menos, familiarizado com estes aplicativos, sendo a mudança menos traumática. Acredito que desta forma será mais fácil convencer um usuário "víciado" em Windows a migrar mais tarde para o GNU/Linux.

Postado por: Luciano Giordani Bassani em julho 28, 2002 08:44 PM

Eu conheço o rasterman. Ele esta' e' desiludido com o Linux. Ele trabalhava na VA Linux e foi despedido. Por causa disso, ele matou o projeto do Enlightenment ao fechar o CVS (logo apos a saida do EFM, similar ao kfm/gdm mas muito mais estilizado). Acho que ele e' um idiota, apenas isso. Perdeu o emprego e agora esta' desiludido, então simplesmente diz que o Linux não tem mais esperanças só pq ele saiu da scene e do mercado. Só lamento meu amigo, mas o mundo continua com ou sem você. Se você caiu fora e desistiu da luta, isso só mostra que você não serve para vestir a camiseta com a palavra "Linux" escrita nela. Continue, pegue esse seu Enlightenment (que ninguém quer mesmo, já que o KDE é infinitamente superior) e porte-o para o Windows.. vamos ver quanta gente vai usá-lo.

É a realidade; para vocês verem, quanta gente ainda vira a casaca após tanto tempo de 'fidelidade'...

-- mips

Postado por: mips em janeiro 26, 2003 10:31 PM
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